LONNIE BROOKS E A JAM NO HOTEL

Inserido em: 08 de March de 2017 / Modificado em: 09 de March de 2017

Conheci Lonnie Brooks em uma daquelas noites congelantes do inverno de NYC no final dos 80’s, quando – como fazia diariamente – dava uma passeada pelos bares com música ao vivo do SoHo, depois de sair do trabalho, passar no Hotel para uma ducha e me equilibrar na neve.

Entrava no que tivesse dando para ouvir o som do lado de fora, mandava um Black Russian, via o que estava rolando e se, durante a dose a música fosse do meu agrado, ficava por ali me aquecendo com o “calor humano” e com o Rock’n’Roll, o Jazz ou o Blues.

E nessa noite, o bar era pequeno, o palco era minúsculo e nele um TRIO mandando Blues... e foi assim, que o vi e ouvi ao vivo, pela primeira vez, mandando um Blues barítono na voz e econômico na guitarra. E gostei.

No dia seguinte, passei na World of Music e comprei os únicos 2 álbuns disponíveis: "Bayou Lightining" e "Hot Shot" e guardei, para ouvir no Brasil, porque lá eu não tinha pick-up.


Loonie Brooks
Os 2 álbuns autografados em 1995 por ele e pela banda

Anos Depois, no Brasil

Anos depois, em 1994, ele veio se apresentar no Nescafè & Blues Fest, no Palace, SP e lá fui eu, rever o cara, sentado na tranquilidade da mesa 119, a mais bem localizada, central, onde a equalização batia mais perfeita.

Em 1995, ele voltou, desta vez para o Bourbon Street Blues Fest e, finalmente, estive com ele no camarim e, antes disso, no Hotel onde ele se hospedou. E foi lá que fizemos um som juntos e mandamos a velha e deliciosa “Sweet Home Chicago” em duo.

Quando ele viu minha Telecaster, que levei para ser autografada (mas ele não quis assinar porque, na opinião dele, iria desvalorizar a peça), mas autografou a Stratocaster branca, que também levei por segurança e ele assinou no meio dos outros autógrafos, e me pediu “posso tocar nessa criança linda?”... Deixei, lógico.


Lonnie Brooks
Na jam do Hotel com minhas 2 guitarras

800 Dólares

Aqui tem uma passagem sensacionalda, que merece ser contada.
Como em 95 eu estava em estúdio gravando meu segundo CD “emBluescetado”, arrisquei um pedido e mandei “adoraria ter a sua guitarra em um slow Blues que estou gravando em CD”. Ele agradeceu o convite e me disse que por contrato não poderia participar de gravações, mas que seu filho Wayne poderia e faria... e que slow Blues era a especialidade dele.

Meio desconfiante (eu não conhecia o cara) concordei, ele chamou o filho, nos apresentamos e, dali mesmo, fomos ao estúdio do Brotinho, que era muito próximo do hotel e lá, na técnica mostrei a música, o cara pirou, pediu uma guitarra, mandou um riff matador e eu falei pro técnico... “sai gravando tudo”... e foi aí que o Wayne mostrou seu lado poliglota e mandou “pópará, falemos do cachê e mandou 800 doletas pra gravar 1 único solo”.

Pedi ao técnico, “desliga tudo” e levei o cara de volta pro hotel.

CÉLOKO, oitocentos pilas pra gravar 1 único solo que jamais ficaria melhor do que o já gravado pelo Marcos Ottaviano? Não senhor, obrigado.

Ainda bem que esse desencontro não afetou a relação deliciosamente iniciada com a “jam” da tarde e pude curtir um showzasso de responsa, como sempre, sentado na mesa da frente, sem ninguém passando entre a banda e eu.

E mais um vez nessa estrada, voltei pra casa feliz, realizado, carregado de Blues na alma e trazendo palhetas, a guitarra e os 2 álbuns autografados. Um deles, o Hot Shot, pela banda inteira.


Lonnie Brooks
Lonnie e seu filho Ronnie que fez parte da banda nos shows do Palace

Lonnie Brooks

Ronnie B. Brooks – filho e sideman do Lonnie, segundos antes dele me entregar a palheta na minha mão estendida.

Lonnie Brooks
Lonnie no Bourbon Street

Lonnie Brooks
Palheta do Ronnie descolada no Palace, durante o show e, às escuras, do Ronnie e Lonnie descoladas no Hotel antes do show no Bourbon.

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Uncle Lee é o personagem exclusivo de Lincoln Baraccat para a Central Muzic.
Lincoln é músico, produtor musical, fotógrafo e designer.
Conheça mais sobre seu trabalho no site www.lincoln.com.br

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