B.B. King - A Primeira Vez é Única

Inserido em: 12 de April de 2017 / Modificado em: 13 de April de 2017

A primeira vez que eu vi B.B. King* foi no Free Jazz Festival, no Anhembi, em São Paulo, cobrindo para a Veja e não sei em que ano isso aconteceu, porque mesmo pesquisando nos Googles da vida, não consegui descobrir... cada informação é diferente da anterior... uns falam que foi em 80, outros que foi em 85. Eu e a minha memória de Elefante com Alzheimer.

Bom, deixando o ano de lado, o que importa aqui é contar como e onde o vi pela primeira vez e em todas as outras em que estive, frente a frente, há poucos metros do Rei. Cada um com seu instrumento de trabalho: ele com a Lucille e eu com a Nikolette.

E, como a primeira a gente nunca esquece, essa do Free Jazz, foi alucinante e surreal.

Ver de perto o mais famoso dos três Kings, numa forma impecável, com uma pegada irretocável, foi a realização de um desejo pessoal.

Credenciado, tive acesso ao onstage e backstage, ao camarim, all free areas.

Foi nessa noite, após o show, que tive o prazer de dar e receber um forte abraço do cara, já seco, depois de ter passado pelo camarim para a troca de roupa.

Uncle Lee e B. B. King se abraçando após um show.

Felizmente isso – o abraço e o contato - voltou a acontecer algumas outras poucas vezes, nos outros 18 shows que tive o prazer de assistir.

B. B. King

Isso mesmo, vi B.B. King 18 vezes e, a cada nova tour que passava por São Paulo ou Rio, lá estava eu, credenciado ou não, nas áreas reservadas à imprensa ou nas primeiras mesas e, dependendo do local e da minha vontade, só pra apreciar, sem câmera.

E foi em algum show de alguma dessas voltas, não me lembro exatamente em qual, que consegui um minuto com ele e levei fotos e álbuns para serem autografados. Ele autografou, pediu umas fotos e eu, voltei pra casa felizão por ele ter concordado com a permuta que eu sugeri: fotos X picks e pins.

Do primeiro até o último show que vi, sempre achei que todos eram parecidos – aquela super banda passava essa impressão - todos sensacionais e eu pude presenciar ao menos umas 12 vezes ele trocando a corda que quebrava num daqueles bends “monstro”. Sempre a mesma, ali onstage sem que a música parasse e, em todas, a mesma simpatia quando distribuia bottons e palhetas, para o delírio dos fãs e dos que nunca tinham ouvido falar dele (conheci várias pessoas assim, que tinham ido ao show porque ganharam o convite e só o acompanhante conhecia).

Não consigo pontuar qual foi o melhor show que vi: o primeiro no Free Jazz foi impressionante. Os do Palace, Olympia e Bourbon, maravilhosos. O do Parque do Ibirapuera, grátis, sensacional. Nesse eu pude levar meu bebê, então com 2 anos e mostrado o que era o Blues ao vivo que eu sempre falava e ouvia nos álbuns, em casa. Mas o último, talvez por ter sido o último onde eu estive – depois desse, ele ainda veio ao Brasil, mas eu não fui em nenhum deles – ficou marcado por alguns detalhes, entre eles o fato de ter sido convidado pelo Marcos Ottaviano e a Blue Jeans, a banda que abriu para o Rei, assim como já havia feito anos atrás no Olympia.

E tive acesso ao local onde ninguém podia entrar (somente a produção e lógico, a banda de abertura).

E foi desse lugar, cercado por seguranças enormes proibindo fotos que, na maior cara de pau, pedi um espaço entre dois deles dizendo “por favor, sou baixinho, me deixem assistir apenas uma única música debruçado nessa barra e sem nada me incomodando” eles se emocionaram e, disfarçadamente, filmei a única música, por sorte, um slow Blues instrumental – de ponta a ponta – sem que nenhum deles sacasse que eu tinha colocado a câmera apoiada na barra de ferro que me separava do palco.

E o vídeo ficou perfeito, sem tremer e como eu gosto, na horizontal. Clique aqui para assistir ao vídeo.

E foi nesse mesmo show que, mais uma vez, estive com o homem e novamente levei minhas fotos de shows anteriores ampliadas para presenteá-lo e para que ele as autografasse.

Assim, nos 18 shows que estive fotografando, fiz milhares de clicks e entre eles, selecionei alguns que mais gosto e os que ele mais gostou.



O clique preferido e elogiado por ele



Outra que ele gostou e pediu


*B.B. King: 16/09/1925 - 14/05/2015

uncle-lee-central-muzic


Uncle Lee é o personagem exclusivo de Lincoln Baraccat para a Central Muzic.
Lincoln é músico, produtor musical, fotógrafo e designer.
Conheça mais sobre seu trabalho no site www.lincoln.com.br

Leia também


8 guitarristas que tocaram o hino nacional dos EUA

4 de Julho é o Dia da Independência nos EUA. Selecionamos 8 guitarristas que interpretaram o hino nacional americano. Dá uma conferida!

Semana Nacional do Ensino da Música

A Central Muzic vai levar o Stage Truck para as ruas como forma de apoio à Semana Nacional do Ensino da Música, promovido pela ANAFIMA. Confira a programação de shows gratuitos em São Paulo!